domingo, 9 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Exposição à bisfenol A durante a gestação X obesidade


Olá, queridos leitores!

Hoje trago a informácão de um artigo apresentado durante o Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional deste ano.

Este artigo sugere que a exposição da mãe, à doses baixíssimas, de bisfenol-A durante a gestação poderia aumentar a preferência da criança pelo sabor doce, o que pode levar à obesidade e outras inúmeras complicações. Ou seja: a gentante tem um papel importantíssimo no hábito alimentar futuro do seu filho já durante a gestação!


O bisfenol-A (BPA), como observado em um post antigo aqui no blog, é um composto utilizado na fabricação do policarbonato, um tipo de plástico rígido e transparente, extremamente comum entre os policarbonatos empregados em embalagens de alimentos. Ele também é um dos componentes da resina epóxi presente, por exemplo, no revestimento interno de latas. No caso de aquecimento dos potes e demais embalagens plásticas, a contaminação por BPA é ainda maior.


Especificamente o BPA é encontrado em embalagens plásticas para acondicionar alimentos na geladeira, copos infantis, garrafas reutilizáveis de água ("sweeze"), materiais médicos e dentários e no revestimento interno de enlatados.

Muitas mamadeiras continham em sua composição o BPA. Recentemente, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização de mamadeiras com bisfenol A no Brasil. As empresas terão 90 dias, a partir da publicação no Diário Oficial da União, para paralisar a fabricação e até o dia 31 de dezembro de 2011 para vender os produtos que estão estocados. Esta medida já foi adotada em outros locais, como Canadá e na União Européia. Cumprido ou não, é um grande passo para nós, brasileiros, diminuirmos esta exposição, que já iniciava nos primeiros meses de vida.

A exposição às toxinas do nosso ambiente hoje é um fato inegável, e seria ipossível viver em uma bolha para fugirmos disso; mas com pequenas atitudes podemos reduzir bastante esta exposição! Evitar o uso de garrafinhas pláticas (preferir vidro ou inox) e de copinhos plásticos do chá e cafezinho ao longo da rotina de trabalho, dos potes plásticos para armazenamento dos alimentos em casa, evitar comprar legumes, frutas e verduras já embalados em recipientes plásticos e/ou em filme plástico são mudanças práticas e que já reduzem a nossa exposição a esta toxina.

Fica a dica!

Um abraço,

Letícia Klempous Corrêa

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Artigo: Changed preference for sweet taste in adulthood induced by perinatal exposure to bisphenol A—A probable link to overweight and obesity

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Generalizar a alimentação? Individualizar!


Bom dia, queridos leitores do Reequilíbrio Orgânico!

Gostaria de hoje contribuir com o conhecimento de vocês sobre um ponto muito importante da nutrição: a individualidade nutricional.

Você com certeza já leu em alguma revista, entrevista ou site que "tal alimento é ótimo", ou então "coma todos os dias x quantidades deste alimento", "tal alimento previne a doença x e y, por isso, como todos os dias uma quantidade z". Extremamente comum, não é?

Agora vamos refletir: cada um de nós tem uma constituição, metabolização, absorção, histórico familiar, patologias, hipersensibilidades, uso ou não de medicamentos alopáticos ou fitoterápicos ou suplementos, etc. Sabendo disso, todos os alimentos considerados benéficos podem ser consumidos por todas as pessoas?

Um exemplo disso são as hipersensibilidades alimentares, cada vez mais comuns nos atendimentos clínicos. Esta questão deve ser considerada antes da recomendação de um determinado alimento, ainda que este possua inúmeros benefícios comprovados na literatura científica atualizada.

O plano alimentar IDEAL é ideal PARA VOCÊ e mais ninguém. Daí a necessidade da completa anamnese clínica e um estudo das questões levantadas pelo paciente, para que possamos obter uma nutrição inteligente e funcional de cada um.

Por isso, de agora em diante, não pensem apenas em "este alimento é bom para tal DOENÇA", mas se este alimento é bom para VOCÊ!

Com carinho,

Letícia Klempous Corrêa

domingo, 10 de julho de 2011

Você conhece a alfarroba?


A alfarroba é o fruto da alfarrobeira, uma árvore nativa do mediterrâneo, e se apresenta na forma de vagem, da onde é extraída a polpa. Esta polpa é torrada e moída, tornando-se um pó, e é muito utilizada em substituição ao cacau, principalmente para quem possui hipersensibilidade ao mesmo e por não conter estimulantes como a cafeína e/ou alergênicos, como a teobromina, ambos presentes no cacau. Além disso, possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais (sucrose, glucose e frutose), em torno de 38 a 45%, enquanto que o cacau possui até 23% de gordura e 5% de açúcar.

O uso da alfarroba não é algo tão moderno como muitos pensam: os Egípcios já a utilizavam há mais de 5.000 anos!

O extrato de alfarroba possui altos teores de compostos fenólicos, o que lhe atribui uma atividade antioxidante considerável. Lembrando que para garantir esta função, existem quantidades mínimas e máximas, e ainda não há nada na literatura científica especificando tais quantidades. Uma boa forma de utilização da alfarroba seria a sua farinha, que contém uma boa concentração destes compostos benéficos. Os bombons e demais produtos obtidos contendo alfarroba também são bons, mas agregam outras substâncias.

Este post não tem objetivo de tornar a alfarroba um alimento ótimo em detrimento do cacau, ok?! Apenas trazer mais uma opção de variedade para uso culinário e alternativas para combatermos a monotonia alimentar. E lembre-se: nunca experimente um novo alimento esperando texturas ou sabores semelhantes. A chance de não gostar dele fica grande! Cada alimento tem suas próprias características sensoriais!

Um abraço,

Letícia Klempous Corrêa

Fontes úteis:

Phytochemical Profile, Antioxidant and Cytotoxic Activities of the Carob Tree (Ceratonia siliqua L.) Germ Flour Extracts

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Agora também na Clínica Liv!




Olá, queridos leitores do Reequilíbrio Orgânico!




Agora também realizo atendimentos na Liv - Espaço Saúde.
Rua Tangará, 41 - Agronômica
(48) 3031.3400
Site: www.livsaude.com.br

Um abraço e um bom restinho de semana a todos!

Letícia Klempous Corrêa




quinta-feira, 26 de maio de 2011

E você, conhece a importância da vitamina D?

Bom dia, leitores e leitoras do Reequilíbrio Orgânico! Hoje trouxe um assunto de extrema importância, e que poucas pessoas realmente prestam os devidos cuidados: os níveis de vitamina D no organismo.

A vitamina D3 (denominada também de colecalciferol) é considerada um hormônio esteróide desde a década de 60. Ela é sintetizada na pele humana pela ação da radiação UV-B, além de ser encontrada em certos alimentos, como no óleo de peixe e na gema de ovo. No sangue, a vitamina D circula ligada, principalmente, a uma proteína ligadora de vitamina D, e no fígado ela é convertida em 25-hidroxivitamina D, que representa a forma circulante em maior quantidade.

A principal função da vitamina D consiste no aumento da absorção intestinal de cálcio e na mobilização do cálcio a partir do osso, na presença do paratormônio (PTH), e aumenta a reabsorção renal de cálcio no túbulo distal. Ou seja, para garantir ossos fortes, não apenas o cálcio é necessário, mas sim vitamina D, além de magnésio, boro, cobre, manganês, vitamina K, dentre outros nutrientes. E garantir com que estes nutrientes cheguem ao seu destino final, sem desvio de função. Mas isso já é assunto para outra postagem – como sempre! Nada é tão linear e simples quanto parece, não é?

Alguns estudos mais atuais relacionam a deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes melito insulino-dependente, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatóide, atribuindo à vitamina D a função de fator extrínseco capaz de afetar a prevalência de doenças autoimunes.

Para dosarmos os níveis de vitamina D e verificarmos sua adequação ou não, deve ser dosada a concentração de 25(OH)D, que representa sua forma circulante em maior quantidade, com meia-vida de cerca de duas semanas. Um profissional nutricionista ou médico poderá e deve orientar melhor acerca disso.

Entre os 30 e 35 anos de idade, a massa óssea do homem e da mulher alcança o limite máximo. Após essa idade, a perda de massa óssea começa de forma lenta e gradual para ambos os sexos, e especialmente acelerado quando a mulher chega à menopausa. Nos 5 a 6 anos seguintes à menopausa, as mulheres perdem o dobro de massa óssea (3% a 4% ao ano) em comparação aos homens da mesma idade (1% a 2% ao ano). Por isso a necessidade ainda maior de acompanhamento dos pacientes do sexo feminino nesta situação e momento de vida.

Atualmente, existe um número significativo de pessoas com deficiência de vitamina D, e, muitas vezes, este dado acaba não recebendo a devida importância e atenção. Os banhos de sol diários (sempre respeitando e entendendo as devidas precauções para isto ser feito de forma responsável) e as caminhadas ao ar livre não são mais hábitos do ser humano, especialmente o que residem nas grandes metrópoles das zonas urbanas. Atividades como caminhar, correr ou pular corda, combinadas com exercícios de força como a musculação, facilitam a retenção e fixação de cálcio pelos ossos. Daí a importância de entrar em contato com um educador físico de sua confiança e, juntos, escolherem a melhor atividade para o seu perfil de rotina, organismo, idade e estrutura física. Importantíssimo!

Fica o recado sobre a importância do assunto de hoje! Apenas uma pincelada, como permite o espaço e pela idéia do blog, mas acredito que possa ter ajudado. Qualquer dúvida, estou sempre à disposição!

Abraço,

Letícia Klempous Corrêa

Artigos úteis:

BANDEIRA, Francisco et al. Vitamin D deficiency and its relationship with bone mineral density among postmenopausal women living in the tropics. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2010, vol.54, n.2, pp. 227-232. ISSN 0004-2730.

SILVA, Bárbara C. Carvalho et al. Prevalência de deficiência e insuficiência de vitamina D e sua correlação com PTH, marcadores de remodelação óssea e densidade mineral óssea, em pacientes ambulatoriais. Arq Bras Endocrinol Metab[online]. 2008, vol.52, n.3, pp. 482-488. ISSN 0004-2730. doi: 10.1590/S0004-27302008000300008.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Xenoestrógenos: consequências de uma vida descartável e insustentável

Olá, queridos leitores do Reequilíbrio Orgânico. O post de hoje é sobre os diversos tipos de toxinas ambientais aos quais estamos cotidianamente expostos e como elas influenciam de alguma forma em inúmeras patologias, desde distúrbios neurológicos até infertilidade.

Este assunto oferece muito "pano pra manga", mas quero poder explicar para todos, de forma extremamente resumida, como é importante termos este tipo de informação!

Milhares de medicamentos e produtos químicos sintéticos são disruptores hormonais e podem afetar seriamente nossa saúde e, principalmente, a de nossos descendentes. Eles estão conectados com alterações no comportamento sexual, depressão imunológica, deformidades genitais, cânceres de mama, ovários, útero, de próstata e testicular além de desordens neurológicas.

A doença fibrocística da mama, a síndrome policística ovariana, endometriose, fibroadenomas uterinos e doenças inflamatórias pélvicas também estão sob suspeita de interferência direta com xenoestrógenos, pela exposição através dos ciclos da vida a essas substâncias.

Dentre os tipos de estrogênios, resumidamente, temos os naturais (ocorrem naturalmente no organismo), os sintéticos (são sintetizados para serem ingeridos como medicamento, como as pílulas anticoncepcionais), os fitoestrogênios (presentes em plantas alimentícias, como a soja) e os xenoestrogênios, sobre os quais iremos falar um pouco mais nesta postagem.

O termo “xenoestrogênios” é aplicado livremente a uma série de substâncias químicas tóxicas produzidas pelo homem que confundem os receptores celulares dos estrogênios no organismo, interferindo nas mensagens bioquímicas naturais, pela habilidade de mimetizar ou bloquear a atividade dos hormônios naturais, ou ainda alterando a forma como os hormônios e seus receptores protéicos são elaborados, metabolizados e a forma de sua atuação.


São dificilmente excretadas, lipossolúveis (solúveis em gordura) e acumulam nos tecidos gordurosos, no cérebro, no aparelho reprodutor e em outros órgãos. Na maioria das vezes, os xenoestrogênios são na maioria gerados pela indústria petroquímica, e sabemos que os produtos petroquímicos estão por todos os lugares do planeta.
Muitos dos mimetizadores hormonais são organoclorados produzidos pela reação do gás cloro com hidrocarbonetos do petróleo. São utilizadas em plásticos, agrotóxicos, solventes, agentes de branqueamento (para roupas e outras), refrigerações e em outros produtos químicos. Podemos citar:

* Inúmeros plásticos (polivinil cloreto/PVC e policarbonatos/PC): encontrados em mamadeiras para nenês, brinquedos infantis, filmes

* PCB (policloretos bifenilos): inibem a conversão do hormônio da tireóide T4 em T3, ocasionando distúrbios nesta glândula;

* Produtos de higiene pessoal (cosméticos, perfumes, antitranspirantes, sabonetes, pastas dentifrícias e higienizadores bucais)

* Agrotóxicos e herbicidas (como DDT, dieldrin, aldrin, hepacloro, etc.)
* Ftalatos são utilizados como plastificantes no PVC, em tinta para escrever/imprimir, para pintar e em colas. Os ftalatos também possuem grande relação com distúrbios na tireóide.

* Bisfenol-A está presente em altíssimas concentrações no lixo plástico, nas panelas antiaderentes, nas garrafas plásticas e nas comidas embaladas (frutas, carnes, legumes, peixes). Por isso, é importantíssimo evitar comprar alimentos embalados desta forma, bem como utilizar garrafas de vidro ou inox para levar a sua água e evitar colocar bebidas e alimentos quentes em recipientes plásticos.


Embalagens, conservantes, colorantes e flavorizantes artificia, envases plásticos, copos de poliestireno (PS), filmes para embalar alimentos ou revestimento plástico interno de latas, podem conter PVC’s, alquifenóis, nonilfenóis, bisfenol-A e ftalatos, que migram para o alimento quando aquecido ou guardado por longos períodos. Os alimentos de origem animal são a maior fonte de substâncias hormonalmente ativas em nossos alimentos e nos lençóis freáticos. A gordura animal e de laticínios tem alta concentração – carne bovina e produtos lácteos são os piores com altos resíduos de DDT e de outros agrotóxicos organoclorados além de antibióticos, drogas veterinárias e hormônios sexuais de estímulo de crescimento.

O chumbo, mercúrio e cádmio, alumínio, mercúrio, dentre outros, também poderiam ser citados, e isso já dá assunto para outro post... e muitos outros também.

Nossa alimentação é um dos caminhos mais inconscientes quanto à contaminação por mimetizadores hormonais. Atentem para o que consomem, onde este produto está embalado, de onde veio este produto. Parece uma tarefa impossível, não é? Mas comece pelas pequenas coisas: troque os potes plásticos da sua casa por potes de vidro ou inox, utilize papel manteiga ao invés de papel alumínio, carregue sua água em garrafas de vidro ou inox e utilize desodorantes sem alumínio. Com isso, já diminuimos consideravelmente a quantidade de xenoestrógenos e compostos tóxicos no nosso dia a dia.

E você, qual item será sua primeira mudança de hoje?


Com carinho,

Letícia Klempous Corrêa