quinta-feira, 26 de maio de 2011

E você, conhece a importância da vitamina D?

Bom dia, leitores e leitoras do Reequilíbrio Orgânico! Hoje trouxe um assunto de extrema importância, e que poucas pessoas realmente prestam os devidos cuidados: os níveis de vitamina D no organismo.

A vitamina D3 (denominada também de colecalciferol) é considerada um hormônio esteróide desde a década de 60. Ela é sintetizada na pele humana pela ação da radiação UV-B, além de ser encontrada em certos alimentos, como no óleo de peixe e na gema de ovo. No sangue, a vitamina D circula ligada, principalmente, a uma proteína ligadora de vitamina D, e no fígado ela é convertida em 25-hidroxivitamina D, que representa a forma circulante em maior quantidade.

A principal função da vitamina D consiste no aumento da absorção intestinal de cálcio e na mobilização do cálcio a partir do osso, na presença do paratormônio (PTH), e aumenta a reabsorção renal de cálcio no túbulo distal. Ou seja, para garantir ossos fortes, não apenas o cálcio é necessário, mas sim vitamina D, além de magnésio, boro, cobre, manganês, vitamina K, dentre outros nutrientes. E garantir com que estes nutrientes cheguem ao seu destino final, sem desvio de função. Mas isso já é assunto para outra postagem – como sempre! Nada é tão linear e simples quanto parece, não é?

Alguns estudos mais atuais relacionam a deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes melito insulino-dependente, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatóide, atribuindo à vitamina D a função de fator extrínseco capaz de afetar a prevalência de doenças autoimunes.

Para dosarmos os níveis de vitamina D e verificarmos sua adequação ou não, deve ser dosada a concentração de 25(OH)D, que representa sua forma circulante em maior quantidade, com meia-vida de cerca de duas semanas. Um profissional nutricionista ou médico poderá e deve orientar melhor acerca disso.

Entre os 30 e 35 anos de idade, a massa óssea do homem e da mulher alcança o limite máximo. Após essa idade, a perda de massa óssea começa de forma lenta e gradual para ambos os sexos, e especialmente acelerado quando a mulher chega à menopausa. Nos 5 a 6 anos seguintes à menopausa, as mulheres perdem o dobro de massa óssea (3% a 4% ao ano) em comparação aos homens da mesma idade (1% a 2% ao ano). Por isso a necessidade ainda maior de acompanhamento dos pacientes do sexo feminino nesta situação e momento de vida.

Atualmente, existe um número significativo de pessoas com deficiência de vitamina D, e, muitas vezes, este dado acaba não recebendo a devida importância e atenção. Os banhos de sol diários (sempre respeitando e entendendo as devidas precauções para isto ser feito de forma responsável) e as caminhadas ao ar livre não são mais hábitos do ser humano, especialmente o que residem nas grandes metrópoles das zonas urbanas. Atividades como caminhar, correr ou pular corda, combinadas com exercícios de força como a musculação, facilitam a retenção e fixação de cálcio pelos ossos. Daí a importância de entrar em contato com um educador físico de sua confiança e, juntos, escolherem a melhor atividade para o seu perfil de rotina, organismo, idade e estrutura física. Importantíssimo!

Fica o recado sobre a importância do assunto de hoje! Apenas uma pincelada, como permite o espaço e pela idéia do blog, mas acredito que possa ter ajudado. Qualquer dúvida, estou sempre à disposição!

Abraço,

Letícia Klempous Corrêa

Artigos úteis:

BANDEIRA, Francisco et al. Vitamin D deficiency and its relationship with bone mineral density among postmenopausal women living in the tropics. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2010, vol.54, n.2, pp. 227-232. ISSN 0004-2730.

SILVA, Bárbara C. Carvalho et al. Prevalência de deficiência e insuficiência de vitamina D e sua correlação com PTH, marcadores de remodelação óssea e densidade mineral óssea, em pacientes ambulatoriais. Arq Bras Endocrinol Metab[online]. 2008, vol.52, n.3, pp. 482-488. ISSN 0004-2730. doi: 10.1590/S0004-27302008000300008.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Xenoestrógenos: consequências de uma vida descartável e insustentável

Olá, queridos leitores do Reequilíbrio Orgânico. O post de hoje é sobre os diversos tipos de toxinas ambientais aos quais estamos cotidianamente expostos e como elas influenciam de alguma forma em inúmeras patologias, desde distúrbios neurológicos até infertilidade.

Este assunto oferece muito "pano pra manga", mas quero poder explicar para todos, de forma extremamente resumida, como é importante termos este tipo de informação!

Milhares de medicamentos e produtos químicos sintéticos são disruptores hormonais e podem afetar seriamente nossa saúde e, principalmente, a de nossos descendentes. Eles estão conectados com alterações no comportamento sexual, depressão imunológica, deformidades genitais, cânceres de mama, ovários, útero, de próstata e testicular além de desordens neurológicas.

A doença fibrocística da mama, a síndrome policística ovariana, endometriose, fibroadenomas uterinos e doenças inflamatórias pélvicas também estão sob suspeita de interferência direta com xenoestrógenos, pela exposição através dos ciclos da vida a essas substâncias.

Dentre os tipos de estrogênios, resumidamente, temos os naturais (ocorrem naturalmente no organismo), os sintéticos (são sintetizados para serem ingeridos como medicamento, como as pílulas anticoncepcionais), os fitoestrogênios (presentes em plantas alimentícias, como a soja) e os xenoestrogênios, sobre os quais iremos falar um pouco mais nesta postagem.

O termo “xenoestrogênios” é aplicado livremente a uma série de substâncias químicas tóxicas produzidas pelo homem que confundem os receptores celulares dos estrogênios no organismo, interferindo nas mensagens bioquímicas naturais, pela habilidade de mimetizar ou bloquear a atividade dos hormônios naturais, ou ainda alterando a forma como os hormônios e seus receptores protéicos são elaborados, metabolizados e a forma de sua atuação.


São dificilmente excretadas, lipossolúveis (solúveis em gordura) e acumulam nos tecidos gordurosos, no cérebro, no aparelho reprodutor e em outros órgãos. Na maioria das vezes, os xenoestrogênios são na maioria gerados pela indústria petroquímica, e sabemos que os produtos petroquímicos estão por todos os lugares do planeta.
Muitos dos mimetizadores hormonais são organoclorados produzidos pela reação do gás cloro com hidrocarbonetos do petróleo. São utilizadas em plásticos, agrotóxicos, solventes, agentes de branqueamento (para roupas e outras), refrigerações e em outros produtos químicos. Podemos citar:

* Inúmeros plásticos (polivinil cloreto/PVC e policarbonatos/PC): encontrados em mamadeiras para nenês, brinquedos infantis, filmes

* PCB (policloretos bifenilos): inibem a conversão do hormônio da tireóide T4 em T3, ocasionando distúrbios nesta glândula;

* Produtos de higiene pessoal (cosméticos, perfumes, antitranspirantes, sabonetes, pastas dentifrícias e higienizadores bucais)

* Agrotóxicos e herbicidas (como DDT, dieldrin, aldrin, hepacloro, etc.)
* Ftalatos são utilizados como plastificantes no PVC, em tinta para escrever/imprimir, para pintar e em colas. Os ftalatos também possuem grande relação com distúrbios na tireóide.

* Bisfenol-A está presente em altíssimas concentrações no lixo plástico, nas panelas antiaderentes, nas garrafas plásticas e nas comidas embaladas (frutas, carnes, legumes, peixes). Por isso, é importantíssimo evitar comprar alimentos embalados desta forma, bem como utilizar garrafas de vidro ou inox para levar a sua água e evitar colocar bebidas e alimentos quentes em recipientes plásticos.


Embalagens, conservantes, colorantes e flavorizantes artificia, envases plásticos, copos de poliestireno (PS), filmes para embalar alimentos ou revestimento plástico interno de latas, podem conter PVC’s, alquifenóis, nonilfenóis, bisfenol-A e ftalatos, que migram para o alimento quando aquecido ou guardado por longos períodos. Os alimentos de origem animal são a maior fonte de substâncias hormonalmente ativas em nossos alimentos e nos lençóis freáticos. A gordura animal e de laticínios tem alta concentração – carne bovina e produtos lácteos são os piores com altos resíduos de DDT e de outros agrotóxicos organoclorados além de antibióticos, drogas veterinárias e hormônios sexuais de estímulo de crescimento.

O chumbo, mercúrio e cádmio, alumínio, mercúrio, dentre outros, também poderiam ser citados, e isso já dá assunto para outro post... e muitos outros também.

Nossa alimentação é um dos caminhos mais inconscientes quanto à contaminação por mimetizadores hormonais. Atentem para o que consomem, onde este produto está embalado, de onde veio este produto. Parece uma tarefa impossível, não é? Mas comece pelas pequenas coisas: troque os potes plásticos da sua casa por potes de vidro ou inox, utilize papel manteiga ao invés de papel alumínio, carregue sua água em garrafas de vidro ou inox e utilize desodorantes sem alumínio. Com isso, já diminuimos consideravelmente a quantidade de xenoestrógenos e compostos tóxicos no nosso dia a dia.

E você, qual item será sua primeira mudança de hoje?


Com carinho,

Letícia Klempous Corrêa